2as Maiores à Conversa com Gonçalo Reis: Paixão Que Move Sonhos
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Desde cedo, Gonçalo Reis vive a música como paixão e propósito. No Concerto Final das Bolsas Yamaha Music Europe Foundation 2025/26, revelou não só maturidade artística, mas também a coragem de arriscar e crescer em palco. Entre o sonho de integrar a Orquestra Filarmónica de Berlim e a vontade de aproximar a música clássica de todos, acredita que é na partilha que a música ganha verdadeiro sentido.
YAMAHA: Como foi o teu primeiro contacto com a música? Há algum momento especial que sintas que marcou verdadeiramente esse início?
GONÇALO REIS: O meu primeiro contacto mais direto com a música aconteceu na escola primária, quando comecei a ter aulas de educação musical. Desde o início que me senti atraído pela música, e lembro-me de passar tardes a tentar tocar as músicas que gostava na flauta de bisel, mas não consigo dizer um momento específico que tenha marcado esse início. Sinto que foi um processo muito gradual, desde a escola primária até entrar para o Conservatório no 5º ano e eventualmente até ao 10º ano, quando me apercebi de que a música era aquilo que eu queria para a minha vida.
YAMAHA: O que sentiste quando soubeste que tinhas sido selecionado para o Concerto Final Bolsas de Estudo Yamaha?
GONÇALO REIS: Um misto de espanto e muita felicidade. Espantado por ter sido selecionado entre tantos colegas excelentes e feliz pelo voto de confiança e pela oportunidade que me estava a ser dada.
YAMAHA: Quais são as tuas maiores influências musicais — artistas, professores ou experiências — e de que forma moldaram o teu percurso?
GONÇALO REIS: As minhas maiores influências musicais são os meus professores de flauta - Natália Grossmannová, Janete Santos e Nuno Inácio, e o meu primeiro professor de formação musical, que mais tarde foi também meu professor de Análise e Técnicas de Composição e maestro do ensemble do meu conservatório - o mestre Lino Guerreiro. Desde as primeiras aulas com ele, no meu quinto ano, me senti cativado pela sua paixão pela música. Ele sempre foi (e continua a ser) uma enorme referência e um exemplo para mim. Para além disso, a minha postura perante a música deve muito ao facto de ter tido, no meu conservatório, um grupo de jazz e outro de músicas do mundo / música folk e tradicional durante o meu ensino secundário.
YAMAHA: O que representa a música na tua vida hoje? É mais disciplina, refúgio, expressão… ou tudo ao mesmo tempo?
GONÇALO REIS: É simples - a música é a minha vida, representa tudo aquilo que vivo, como um espelho. As alegrias, as tristezas, os momentos de contemplação, até os momentos mais banais do dia a dia - tudo isso se materializa na minha música. Acima de tudo, é a minha paixão!
YAMAHA: Podes contar-nos um pouco sobre a tua experiência neste programa?
GONÇALO REIS: O dia do concerto final foi memorável. De manhã tivemos a oportunidade de experimentar o auditório e ensaiar com piano (com a excelente Filipa Cardoso) e de tarde foi o tão aguardado concerto - sempre com a presença do fotógrafo Rui Bandeira, que esteve sempre connosco a registar todos os momentos, sempre com a sua boa disposição a animar a malta! O concerto foi mesmo muito bom, passei o tempo todo atrás do palco a ouvir os meus colegas durante as suas atuações e adorei ouvi-los. O nível foi espetacular! Após o final do concerto saímos do auditório para o júri deliberar, e depois lá veio a fantástica notícia. Fiquei surpreendido com o resultado porque depois da minha performance saí de palco sem ter uma ideia muito concreta daquilo que tinha feito, se me tinha corrido bem ou nem por isso, por causa da adrenalina do momento. Mas pelo resultado suponho que tenha corrido bem!
YAMAHA: Houve algum desafio recente que te tenha feito crescer particularmente como músico ou como pessoa?
GONÇALO REIS: Sim, participar no Concerto Final Bolsas de Estudo Yamaha foi em si uma oportunidade de crescimento e um desafio. Diria que o trabalho que desenvolvi na minha preparação ajudou-me a crescer como músico, uma vez que foi a primeira vez que apresentei uma obra de cor em contexto de concerto. Decidi que iria arriscar nesse sentido e preparei-me da melhor forma para o conseguir fazer. Ainda assim hesitei um pouco antes de começar, sem saber se devia arriscar de cor ou não, mas arrisquei e ainda bem que o fiz!
YAMAHA: Onde gostarias de estar musicalmente daqui a cinco ou dez anos?
GONÇALO REIS: Numa grande orquestra como músico titular. O sonho seria na Orquestra Filarmónica de Berlim!
YAMAHA: Que tipo de impacto gostavas de ter através da tua música — nas pessoas, na sociedade ou na cultura?
GONÇALO REIS: O meu objetivo é levar a música às pessoas, de as aproximar do mundo da música clássica e mostrar que a música é para todos. Desmistificar a ideia de que a música clássica é apenas para um grupo restrito ou para as elites. Para isso é importante sermos flexíveis enquanto músicos e agradarmos também ao público - fazer uma espécie de mistura entre aquilo que elas já ouvem e gostam de ouvir e aquilo que nós queremos passar.
YAMAHA: Se pudesses colaborar com qualquer artista ou tocar em qualquer palco do mundo, qual escolherias — e porquê?
GONÇALO REIS: Se pudesse escolher, seria tocar com a Filarmónica de Berlim. É a minha orquestra de sonho desde sempre!
YAMAHA: Que conselho darias ao teu “eu” mais novo, que estava agora a começar na música?
GONÇALO REIS: Percorre o teu caminho sem pressas, aproveita ao máximo os anos no Conservatório, aprende o máximo que possas e, acima de tudo, diverte-te com a música!
YAMAHA: O que dirias a outros jovens músicos que sonham seguir este caminho, mas que por vezes duvidam de si próprios?
GONÇALO REIS: Não se comparem com os outros. Somos todos diferentes e cada um tem o seu próprio caminho a trilhar. Celebrem os êxitos dos vossos amigos e apoiem-nos - ninguém faz música sozinho! (Mesmo tocando a solo, precisamos sempre de alguém para nos ouvir.) Amem a música, divirtam-se com ela, não tenham medo de explorar outros géneros ou estilos de música e nunca se esqueçam da razão por que decidiram seguir este caminho!
YAMAHA: Para ti, o que significa “ter sucesso” na música?
GONÇALO REIS: Significa viver a partir da minha paixão, daquilo que mais gosto de fazer, celebrando as conquistas ao longo do caminho com aqueles que mais amo.
COMPLETA ESTA FRASE: A MÚSICA ENSINOU-ME QUE... que sozinhos não vamos a lado nenhum. Por muito bom que sejamos, precisamos sempre do resto da orquestra para tocar uma sinfonia.