Na Cabine de Futebol da NCAA: O Engenheiro de Áudio Scott Sandstrom e a Mistura com DM3 e Dante
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DM3 na cabine de transmissão da NCAA (à esquerda), Scott Sandstrom, engenheiro de áudio (à direita)
Num espaço reduzido como uma cabine de transmissão de futebol universitário, com dois racks de 19 polegadas e vários equipamentos RF, cada centímetro conta. Para o engenheiro freelance de RF e submistura Scott Sandstrom, esta realidade motivou a passagem do analógico para a DM3 da Yamaha. “A rede fornecia anteriormente um misturador analógico”, recorda. “A decisão passou por elevar o nível e a DM3 revelou-se a ferramenta certa para esta função.”
A responsabilidade centra-se na submistura de efeitos do futebol para uma rede nacional, enviando para a unidade móvel uma base limpa de microfones parabólicos, microfones de árbitro, microfones de estúdio e envios IFB. “A mistura destina-se à televisão, mas inclui também um envio de efeitos de cortesia para a rádio”, refere. “São utilizados entre quatro a seis parabólicos em campo, todos sem fios, com os quatro principais a incluírem redundância por cabo. Incluem-se ainda tarefas de RF — gestão de frequências, microfones dos repórteres, sistemas de reserva, entre outros. O sinal segue diretamente para a unidade móvel, onde o A1 o integra na emissão.”
O espaço constitui sempre um desafio. “Algumas cabines oferecem condições muito amplas, ao nível da NFL. Outras mal permitem a colocação de uma cadeira”, comenta com humor. “Tornou-se necessário um misturador compacto, com compressão, equalização e, idealmente, delay. A DM3 respondeu a essa necessidade. Pode ser colocada sobre o rack, numa posição vertical, mantendo uma ocupação mínima e sem interferir com o espaço disponível.”
Fazer Seis Microfones Soarem Como Um Só
O principal desafio da mistura de subgrupos de efeitos reside na coesão. “O objetivo passa por fazer com que quatro ou seis microfones parabólicos soem como um só”, explica Sandstrom. Entre as ferramentas utilizadas encontram-se microfones Sony ECM-77S montados em pratos parabólicos. “Costuma recorrer‑se ao aluguer de oito unidades, de forma a selecionar as seis melhores. Segue-se a equalização, com a remoção do efeito oco do prato, para obter um som mais natural.”
Este equilíbrio precisa de manter consistência para além do jogo. “A cobertura inclui frequentemente a banda de marcha durante cerca de 90 segundos antes do início, pelo que é importante garantir um som cheio e equilibrado.”
Embora a DM3 inclua uma função Automix eficaz, a opção recai no controlo manual em contextos de futebol ao vivo. “Num estádio, o ruído e as variáveis são numerosos”, refere. “A visão a partir da cabine de imprensa permite antecipar o desenrolar da jogada. Num passe de 50 jardas (cerca de 45 metros), torna-se possível perceber para onde segue a bola e qual o microfone parabólico que deve ser destacado.”
Saídas DM3, Dante e Microfones Parabólicos
Dante nos Seus Próprios Termos
Os racks de Sandstrom estão interligados através de uma rede Dante autónoma. “Foi iniciado o percurso de certificações Dante. Trata-se de um processo de aprendizagem de redes numa fase mais avançada da carreira”, refere em tom descontraído. “São utilizados recetores Axient — oito canais — e adaptadores AVIO para envios IFB. Tudo converge para um switch de cinco portas em cada rack e segue depois para a DM3. Simples e direto.”
Apesar desta base digital, a redundância analógica mantém-se indispensável. “Não há margem para falhas. Existem ligações analógicas de reserva entre os recetores Axient e a mesa. O microfone principal do repórter é crítico e tem de chegar à unidade móvel em qualquer circunstância.”
Alguns estádios disponibilizam infraestrutura Dante, mas a opção passa pela operação isolada. “As unidades móveis também começam a integrar Dante. Surgiu a sugestão de ligação direta: ‘Já existe Dante — vamos utilizar.’ A resposta foi clara: durante a fase de preparação, sim; depois, a operação mantém-se independente.”
Rapidez, Fiabilidade, Tranquilidade
Num papel que combina a gestão de RF com a submistura ao vivo, a rapidez de configuração torna-se essencial. “Antes, era necessário transportar um compressor quad num saco”, refere Sandstrom. “Com a DM3, tudo se concentra numa única unidade.”
A preparação começa antes da chegada ao estádio. “O DM3 Editor foi utilizado antecipadamente, ainda sem acesso à mesa, permitindo criar e guardar todo o projeto numa pen USB. No primeiro trabalho, bastou ligar, carregar e começar.”
A melhoria não passa despercebida. Embora nem sempre seja conscientemente percebida, o impacto é sentido: impactos mais definidos, reação do público mais controlada e uma perceção de espaço mais natural, que envolve o espectador sem evidenciar a mistura. “No entanto, o principal ganho está no fluxo de trabalho”, acrescenta Sandstrom. “Tudo o que reduza o tempo de montagem tem um valor enorme.”
Configuração de Mistura de Scott Sandstrom
O Fator Humano
A função de Sandstrom combina o papel de técnico de mistura com o de coordenação. “Há um microfone ao pescoço — um botão permite falar com o repórter, outro com a equipa dos parabólicos”, refere. “A tarefa alterna entre misturar e comunicar em simultâneo, de forma semelhante a um diretor de iluminação a orientar projetores de seguimento.”
O método é constantemente ajustado. “Já foram feitas experiências com inversão de fase em microfones mais distantes, com o objetivo de reduzir duplicações. Em alguns casos resulta, noutros não. No entanto, na DM3 basta um botão, enquanto em mesas de transmissão de maior dimensão são necessários vários passos.” Num jogo de ritmo elevado, esta rapidez faz toda a diferença.
No final, Sandstrom resume a abordagem: “A função assemelha-se à de um artista de Foley, com 22 elementos em campo a gerar o som. O objetivo consiste em fazer tudo soar como um único microfone — limpo, natural e rápido”, assegurando que essa sensação é transmitida ao público em casa. O nome pode passar despercebido, mas o impacto do seu trabalho é evidente em cada momento em que um impacto se destaca no meio do ruído do estádio e toda a energia ganha vida.
Local
Estados Unidos da América


